Todas e todos somos comunicadores. É da nossa condição humana. Somos emissores, receptores, dialogantes, construtores de relações, forjadores de conexões profundas no cotidiano caminho de dar e receber.
Resistência. Determinação. Resiliência. Abertura. Empatia. Comunicação empedernida?
Sim, somos seres comunicantes — teimosamente comunicadores. Eternos e incansáveis aprendizes na arte do encontro, das interações e das relações humanas.
Nossa vida é comunicação, queiramos ou não, conscientes ou não. Comunicamos sempre: com o corpo, com os sentidos, com o silêncio e com a palavra. Na expressão gestual, verbal e não verbal, manifestamos quem somos. Uma comunicação assertiva, lúcida, sacramental — abertura escancarada e destemida ao abraço relacional.
Verbalizar, comunicar, falar e escutar são dimensões de uma experiência profundamente humana, que nos dignifica e humaniza. No entanto, para interagir e falar bem, é preciso escutar de verdade. Quem aprende a escutar atentamente, aprende a falar com coerência e autenticidade, transformando a palavra escutada em anúncio e verdade.
A palavra tem poder e capacidade de transformação. Ela pode fecundar e, carregada de sementes de liberdade, intrepidez e profecia, edificar a pacificação no coração ferido da humanidade.
O desafio é viver com atenção para não semear vento e colher tempestade (cf. Os 8,7). “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (cf. Ap 3,6). Só se escuta bem com o coração.
Como identifico minha capacidade relacional e comunicativa neste tempo atual de tantas verdades e inverdades?
Que nossa palavra seja expressão do nosso ser mais profundo, conjugando, de forma teimosa e corajosa, o que sou, penso, sinto, ajo, expresso e comunico.
É possível escutar uma vez mais: EFATTA— abre-te?
Abre-te sem medos, sem cerceamentos, sem defesas.
Abre-te às surpresas da vida, à aparente rotina cotidiana.
Abre-te à teimosa esperança de escutar com os ouvidos do coração.
Abre-te a uma comunicação autêntica, assertiva, circular, comprometida com a verdade e a justiça, geradora de consciência e de vida.
Sejamos comunicadoras e comunicadores empedernidos pelo privilégio de transmitir nossos valores, desejos e convicções profundas, que dão sentido e sustentam a nossa existência.
O amor, a paz e a justiça se abraçarão (cf. Sl 85,10).
É esse o incansável e tenaz empenho do Observatório da Comunicação Religiosa, no serviço generoso às comunidades e à Igreja, em fidelidade ao Projeto de Jesus.
Ir. Eliane Cordeiro
Brasília, 05 de março de 2026




