Na mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano, o Papa Leão XIV recomenda “aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam”. E nós sabemos como é difícil perceber o que há por trás da seleção de informações e como as notícias são construídas e selecionadas.
Mas o agravante maior são as corporações de internet, as Big Techs, que organizam e selecionam não só as informações que chegam a nós, cidadãos, mas também exercem controle em países, em muitas universidades. Quando se discute a regulação da internet, começa uma guerra — não uma guerra de armas, como a que acontece em diversos países, mas uma guerra no continente digital, que não tem fronteiras.
E você pode se perguntar: como isso acontece?
Nós nos servimos dos sistemas de comunicação na internet para nos informar, enviar mensagens pelo WhatsApp, alimentar nossas redes sociais, e tudo é aparentemente gratuito. No entanto, há um controle invisível sobre o que é permitido ver e acessar.
Também o uso do cartão de crédito rende dividendos às empresas norte-americanas e, por isso, já existem críticas ao nosso Pix, que isenta taxas de transações bancárias e, consequentemente, diminui a arrecadação do cartão de crédito — algo já sentido pelos donos do capital.
Giuliano da Empoli nomeia os magnatas digitais, os poderosos da internet, como “predadores”, e mostra como as democracias ocidentais foram seduzidas por oligarcas tecnológicos ou autocratas carismáticos.
O autor expõe como o uso da inteligência artificial, os ciberataques, a manipulação de dados e a guerra de narrativas — ou seja, versões diversas dos fatos — estão redesenhando os campos de batalha do século XXI. Trata-se de uma disputa de poder e espaço sem limites, no universo digital.
Daí a importância da regulação que os governos buscam estabelecer sobre a internet, como forma de garantir a soberania no campo digital.
Ainda temos muito a pensar criticamente para entender o que há por trás dessa guerra digital.
Firmes na fé e com pensamento crítico, vamos chegar lá.
Fé e coragem sempre!
Brasília – 19 de março de 2026
Irmã Helena Corazza, fsp




