Neste ano teremos as eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.
E aqui a gente precisa acender um alerta vermelho: a religião, que para muitos é um porto seguro, um lugar de acolhimento e fé, virou arma eleitoral. E tem sido usada de forma descarada por grupos religiosos para conseguirem votos e poder em épocas eleitorais.
Como isso acontece? Grupos políticos, travestidos de grupos religiosos, manipulam a nossa fé de diversas maneiras. Primeiro, pelo moralismo. Usam discursos que tentam impor uma visão única de “família” e “costumes” como se fossem os únicos valores cristãos, esquecendo que o evangelho de verdade é muito mais sobre amor ao próximo do que sobre normais morais.
Depois, vem o uso das redes digitais. Você já deve ter visto: perfis falsos, correntes em aplicativos de mensagens e vídeos bombásticos espalhando medo. O medo do “inimigo”, do “fim dos tempos”, do “diabo”. E qual é a solução que eles vendem? Um candidato escolhido por Deus. Como se um político pudesse nos salvar de tudo de ruim, como um messias, um enviado de Deus. Isso é o que chamamos de messianismo político, e é muito perigoso.
O que esses grupos querem, de verdade, não é defender a sua fé. Eles têm um projeto claro de poder político. Eles querem dominar a máquina pública para impor a visão deles a toda a sociedade, inclusive a quem não compartilha da mesma crença. E são espertos: eles sabem que, se embrulharem esse projeto de poder num discurso religioso, cheio de versículos soltos e frases de efeito, muitos de nós, por confiança e devoção, podemos acabar embarcando sem perceber a intenção real desses grupos.
Aqui vão algumas dicas do OBSERVATÓRIO DA COMUNICAÇÃO RELIGIOSA:
1. Desconfie de “Salvadores da Pátria”: Nenhum político é um messias. Desconfie de quem se apresenta como a “única solução” ou o “enviado de Deus” para a política.
2. Antes de repassar conteúdos confira e faça checagem: No calor das eleições, sua tia, seu primo ou até seu líder religioso podem compartilhar algo que parece muito grave, mas é uma notícia falsa, um vídeo antigo ou um áudio tirado de contexto. Antes de sair compartilhando e espalhar o medo, pare, pesquise. Veja se aquilo é verdade em sites de checagem de fatos.
3. Compare o discurso com a prática: O candidato fala bonito sobre família e valores, mas qual é a história dele? O que ele já fez pela comunidade? Seu projeto realmente ajuda os pobres, os doentes, os mais necessitados, como a fé que ele diz professar ensina?
4. Separe a fé da política partidária: Sua fé te dá princípios, como honestidade, compaixão e justiça. Use esses princípios para avaliar os candidatos, mas não deixe que ninguém lhe convença de que votar em “Fulano” é a única forma de ser um bom cristão. A fé e a consciência são suas. Não são da Igreja. O voto é secreto e livre.
Neste ano de 2026, vamos exercer nossa cidadania com os olhos bem abertos. A fé move montanhas, mas não pode ser usada para nos cegar. Vamos usar a inteligência que Deus nos deu para escolher os melhores para o Brasil.
Brasília, 26 de fevereiro de 2026.
Robson Sávio Reis Souza




