O legado profético de Dom Orlando Brandes em Aparecida

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No dia 2 de março de 2026, o Papa Leão XIV atendeu ao pedido de renúncia de Dom Orlando Brandes, encerrando um ciclo de nove anos — de 2017 a 2026 — à frente da Arquidiocese de Aparecida. Sua trajetória foi marcada por uma comunicação incisiva e de forte impacto espiritual e social, especialmente durante as homilias do 12 de outubro, quando utilizou o púlpito da Festa da Padroeira para lançar mensagens de grande repercussão. Nós, do Observatório da Comunicação Religiosa, queremos destacar três importantes frases de Dom Orlando proferidas no dia de maior visibilidade do Santuário.

A primeira: “Para ser dragão do tradicionalismo, não precisa de fé”, foi dita no 12 de outubro de 2019. Utilizando a metáfora bíblica do Apocalipse para criticar o fundamentalismo e os ataques ao Papa Francisco, a frase carrega um sentido eclesiológico profundo: o Arcebispo alertou que a rigidez dos ritos retrógrados pode esconder uma ausência de espiritualidade real, defendendo que a fé exige unidade e humildade, e não a agressividade que divide a Igreja.

Já em 12 de outubro de 2021, o Arcebispo proferiu a contundente frase: “Pátria Amada não pode ser Pátria Armada”. Naquele momento, havia um forte clima por parte do governo federal em promover o armamento da população. O sentido da fala é, portanto, pacifista e humanista: o Arcebispo ressignificou o slogan nacional para afirmar que o verdadeiro patriotismo se constrói com justiça social e dignidade, rejeitando categoricamente a cultura da morte.

Por fim, consolidada entre as celebrações de 12 de outubro de 2020 e 2022, a expressão “Mãe Aparecida, livrai-nos do vírus do ódio” uniu a crise sanitária da Covid à polarização política. Com um sentido social e terapêutico, o Arcebispo apontou o ódio como uma patologia coletiva que corrói a democracia, clamando pelo resgate da mansidão como cura para as divisões do povo brasileiro.

Dom Orlando Brandes encerra seu ministério reafirmando o altar de Aparecida como um espaço de anúncio da esperança e defesa intransigente da dignidade humana. Obrigado, Dom Orlando. Deus o abençoe com muita saúde e lucidez sempre.

Brasília – 26  de março de 2026
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

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