O Observatório da Comunicação Religiosa (OCR) manifesta sua mais profunda solidariedade ao Padre Zezinho, SCJ, diante da violenta campanha de ataques, ofensas e desqualificação pública desencadeada contra ele nas redes digitais após sua manifestação fraterna e pastoral dirigida ao Frei Gilson, durante uma entrevista na ExpoCatólica 2026.
Mais do que um episódio isolado, o que assistimos é a expressão de um preocupante processo de degradação da convivência no ambiente digital, onde a lógica da polarização, da desinformação, da intolerância e do engajamento a qualquer custo tem produzido verdadeiros tribunais virtuais. Neles, pessoas são sumariamente julgadas, condenadas e transformadas em inimigos a serem eliminados simbolicamente, sem espaço para o diálogo, a escuta, a contextualização ou a caridade cristã.
O Padre Zezinho dispensa apresentações. Há mais de seis décadas dedica sua vida ao anúncio do Evangelho, à evangelização através da música, da literatura, da comunicação e da formação cristã. Sua obra marcou profundamente a renovação da catequese, da liturgia e da música religiosa no Brasil, alcançando sucessivas gerações de católicos e contribuindo decisivamente para que a mensagem de Jesus chegasse a milhões de pessoas por meio de uma linguagem acessível, sensível e profundamente enraizada na tradição da Igreja.
Sua trajetória sempre foi caracterizada por uma fidelidade inabalável ao Evangelho, pela defesa da dignidade humana, pelo compromisso com os pobres, pela promoção da paz, do diálogo e da fraternidade. Em plena sintonia com a Doutrina Social da Igreja, seu ministério tornou-se referência de uma fé que une contemplação e compromisso, espiritualidade e responsabilidade social, amor a Deus e amor ao próximo.
É precisamente esse testemunho que hoje se vê alvo de uma violência simbólica incompatível com a identidade cristã.
As agressões dirigidas ao Padre Zezinho extrapolam o legítimo direito ao debate ou à divergência de ideias. O que se observa é um processo sistemático de intimidação, difamação, desqualificação moral e tentativa de destruição de reputações, alimentado por setores fundamentalistas que transformam diferenças de opinião em guerras culturais permanentes. Em nome de uma suposta defesa da fé, banalizam-se o insulto, a hostilidade, a humilhação pública e o assédio moral, práticas frontalmente contrárias ao Evangelho daquele que nos ordenou amar até mesmo os adversários.
Infelizmente, parte desse fenômeno é potencializada pela própria arquitetura das plataformas digitais. Algoritmos orientados pela lógica da máxima atenção favorecem conteúdos marcados pela indignação, medo, ódio, conflito e radicalização. Nesse ambiente, a mentira circula com velocidade, a desinformação se converte em instrumento de mobilização e o ódio torna-se mercadoria capaz de gerar visibilidade, influência e ganhos econômicos. A cultura do cancelamento, a caça a inimigos e os julgamentos sumários passam, assim, a ocupar o lugar da prudência, da verdade e da misericórdia.
É especialmente grave quando tais práticas são naturalizadas por grupos que se apresentam como representantes da fé cristã e, mais ainda, quando encontram complacência ou silêncio em setores da própria comunidade eclesial. A violência simbólica jamais pode ser legitimada como expressão de zelo religioso. Não existe fidelidade ao Evangelho quando se destrói a dignidade das pessoas. Não existe testemunho cristão quando a comunicação abandona a verdade, a caridade e a justiça.
Como instituição dedicada à reflexão crítica sobre as relações entre religião, comunicação e democracia, o Observatório da Comunicação Religiosa considera que permanecer em silêncio diante desse episódio significaria renunciar à sua própria missão. Não é possível assistir passivamente à normalização do linchamento virtual de uma das mais importantes referências da comunicação católica brasileira sem denunciar os mecanismos que tornam essa violência socialmente aceitável.
Nossa solidariedade ao Padre Zezinho não decorre apenas do reconhecimento de sua extraordinária contribuição pastoral, cultural e evangelizadora, mas da convicção de que toda pessoa possui direito à honra, ao respeito e ao tratamento digno, valores que constituem tanto patrimônio da tradição cristã quanto fundamentos de uma sociedade democrática.
Ao mesmo tempo, este episódio convida toda a Igreja a um profundo exame de consciência sobre a qualidade de sua presença no ambiente digital. A comunicação cristã não pode reproduzir os mecanismos da violência, da polarização e da lógica amigo-inimigo que caracterizam parte das redes sociais. Somos chamados a testemunhar uma cultura do encontro, do diálogo, da escuta e da fraternidade, conforme insistentemente recordava o magistério do Papa Francisco. Evangelizar nunca poderá significar humilhar, perseguir ou destruir pessoas.
Reiteramos, portanto, nosso irrestrito apoio ao Padre Zezinho, nossa gratidão por sua fecunda missão evangelizadora e nossa esperança de que a Igreja e a sociedade saibam reconhecer, denunciar e enfrentar todas as formas de violência simbólica, desinformação e extremismo religioso que ameaçam a convivência democrática e contradizem o coração do Evangelho de Jesus Cristo.
Toda nossa solidariedade ao Padre Zezinho. Sua história, seu testemunho e seu serviço à Igreja permanecem muito maiores do que qualquer campanha de difamação.
Brasília, 04 de agosto de 2026.
Observatório da Comunicação Religiosa (OCR)




