O Observatório da Comunicação quer refletir com vocês sobre o tema “A comunicação entre nós: espelhos, ruídos e ausências”. O OCR deseja, aprofundar o sentido da comunicação como espaço de encontro, escuta e construção comunitária.
Vivemos um tempo em que a comunicação, paradoxalmente, tornou-se mais rápida e menos profunda. Falamos muito, escrevemos muito, respondemos depressa — mas nem sempre nos escutamos. Entre nós, as palavras circulam, mas nem sempre criam encontro; às vezes apenas atravessam o espaço, sem tocar verdadeiramente o outro.
A forma como nos comunicamos revela nossas urgências, nossos medos e, muitas vezes, nossa falta de atenção. Muitas vezes, respondemos por obrigação, não por presença. Enviamos mensagens sem pensar no peso que certas palavras carregam. Supomos que o outro “deveria entender”, esquecendo que ninguém lê aquilo que não é dito. Multiplicam-se ruídos: mal-entendidos que nascem não da má intenção, mas da falta de cuidado.
Também se tornou comum falar apenas a partir de nós mesmos: nossas tarefas, nossas dores, nossos horários, nossas pressas. E, assim, a comunicação perde sua essência, que é criar ponte — e não confirmar ilhas. Falta-nos, por vezes, a coragem do diálogo honesto e a generosidade da escuta que não interrompe, não pressiona, não supõe, mas acolhe.
Certa vez com os comunicadores da Santa Sé, o Papa Francisco exortou que a comunicação deve servir para “construir pontes onde tantos constroem muros; fomentar comunidade onde muitos aprofundam divisões; envolver-se com as tragédias do nosso tempo, em meio a quem prefere a indiferença.”
Essa expressão — “ponte, não muro” — resume de modo simbólico da comunicação eclesial: um canal de diálogo, proximidade, escuta, e integração, especialmente em tempos marcados por polarizações, crises e desigualdade
Criticar a forma como comunicamos não é apontar culpados, mas reconhecer que precisamos reaprender a nos encontrar. Precisamos resgatar a gentileza das palavras que abrem caminhos, a humildade de perguntar antes de concluir, a maturidade de nomear o que sentimos e a paciência de compreender além do literal.
Talvez a grande tarefa seja essa: transformar mensagens em presença, conversas em compreensão e palavras em gestos concretos de cuidado. Porque comunicar não é apenas falar — é, sobretudo, humanizar o espaço entre nós.
Brasília, 12 de dezembro de 2025
Irmã Maria Neusa Santos.






